Quando comecei cobrir o universo da música ao vivo no Brasil, percebi que a atmosfera de um show não se restringe ao que se passa no cenário. Há uma cadeia intrincada de escolhas, histórias e planos que mudam uma performance em um instante memorável — ou em uma decepção geral. Este portal foi criado para homenagear a trajetória, a sonoridade e o herança de Raul Seixas, mas também para aprofundar fundo na cultura dos eventos ao vivo que ele tanto colaborou a moldar. Raul sabia que o palco era um cerimônia de união, e é com este sentimento que divido aqui análises, guias práticos e dicas sinceras para os que vive de música, para aqueles que registra shows e para o admirador que deseja tirar o máximo de cada ocasião. Minha abordagem é a de um analista crítico: testo, comparo, falho, acerto e volto para contar o que realmente funciona. Não asseguro receitas prontas, mas disponibilizo conteúdo objetivo, referência temporal e um visão analítica que valoriza a sabedoria do público. Se você quer entender como os eventos ao vivo se desenvolveram, como se planejar para esses eventos e como interpretar o que se passa sob os refletores, esse é o vosso ponto de partida.
Como selecionar o festival de música perfeito para o seu gosto
Selecionar um festival de música vai mais longe de olhar o line-up principal https://memorialraulseixas.com/. Com o tempo, desenvolvi um método de avaliação que considera pelo menos cinco variáveis concretas: a curadoria artística, a infraestrutura do local, a política de preços, a logística de transporte e a experiência do público em edições anteriores. Ao aplicar esse filtro, posso evitar armadilhas comuns, como festivais que prometem uma atração internacional de peso mas disponibilizam banheiros insuficientes, áreas de alimentação caóticas ou um som que não chega com qualidade a todos os pontos da plateia. Aconselho que o leitor investigue não apenas os headliners, mas também as bandas do meio da programação — muitas vezes são elas que proporcionam as performances mais memoráveis, como Raul Seixas fazia quando colocado em horários intermediários e roubava a cena com sua presença magnética.
Outro requisito que julgo essencial é a sintonia entre o modelo do festival e suas aspirações pessoais. Festivais de vários palcos, como o Primavera Sound, exigem resistência física e energia para caminhar bastante; já eventos mais aconchegantes, como o CoMA (Convenção de Música e Arte), favorecem a imersão e a revelação de novos artistas. Sempre reflito no que Raul Seixas representou em termos de flexibilidade: ele se sairia bem tanto em um palco principal grandioso quanto em um teatro local, porque entendia o cenário de cada show. Uso esse mesmo raciocínio para auxiliar leitores que me indagam se compensa mais gastar em um festival grande ou em uma sequência de apresentações menores ao longo do ano. A resposta depende do que você valoriza: quantidade de artistas presenciados em um fim de semana ou riqueza na jornada de cada show.
A política de valores e a clareza na venda de ingressos também são incluídas na minha análise. Tenho notado uma propensão inquietante de cobranças excessivas e grupos que se esgotam em minutos, muitas vezes por atuação de revendedores online. Antes de sugerir qualquer evento, avalio se a produção informa com clareza o layout do espaço, as possibilidades de desconto e as políticas de reembolso em caso de cancelamento. Raul Seixas sempre foi um apoiador do acesso popular à expressão, e considero que respeitar esse patrimônio implica por cobrar condutas éticas do mercado de eventos. Se um evento não oferece essas dados de forma clara, já dispara um sinal na minha apreciação. Transmito essas opiniões para que o usuário desenvolva seu próprio espírito crítico e não se deixe levar apenas pelo publicidade.
FAQ
Qual seria a mais eficaz forma de assegurar ingressos para shows muito disputados?
A abordagem mais assertiva é cadastrar-se previamente nos sites oficiais e nas plataformas de venda, configurando notificações de abertura de lote. No dia da venda, acesse com antecedência, tenha os dados de pagamento salvos e evite múltiplas abas abertas. Se os ingressos acabarem rapidamente, verifique se a produção informou lotes adicionais ou pontos de venda físicos. Desconfie de revendedores não autorizados e jamais compartilhe seus dados pessoais em grupos de redes sociais.
Qual é o jeito de me condicionar fisicamente para um festival de vários dias?
A rotina começa semanas antes, com caminhadas regulares e fortalecimento muscular leve, especialmente de pernas e costas. Durante o festival, hidrate-se constantemente, alterne bebidas alcoólicas com água e faça refeições balanceadas nos intervalos. Vista calçados já amaciados, roupas leves e protetor solar. Reserve momentos de descanso à sombra e não ignore o impacto da privação de sono. Carregue protetor auricular para preservar sua audição nos shows mais altos.
Compensa contratar um seguro para garantir imprevistos em eventos?
Sem dúvida, especialmente se o evento envolver viagem, hospedagem ou ingressos de alto valor. Um seguro viagem com cobertura para cancelamento de evento, problemas de saúde e extravio de bagagem proporciona tranquilidade por um custo relativamente baixo. Antes de contratar, leia atentamente as exclusões e verifique se o pacote abrange situações específicas, como mudanças climáticas que possam inviabilizar o festival. Guarde todos os comprovantes para acionar o seguro se necessário.
Como reconhecer se um festival tem uma produção técnica de qualidade?
Pesquise relatos de edições anteriores em fóruns, redes sociais e sites especializados. Verifique se o evento divulga informações sobre o sistema de som, a empresa responsável pela produção e o mapa do local com a localização dos palcos. Bons indicadores abrangem a presença de técnicos renomados, a realização de testes acústicos prévios e a existência de uma equipe dedicada à acessibilidade. A transparência na comunicação é um sinal de profissionalismo.
O que fazer se eu me sentir mal durante um show ou festival?
Identifique imediatamente o posto médico ou um centro de assistência da organização. Grandes eventos frequentemente possuem equipes de paramédicos e ambulâncias de prontidão. Se estiver sozinho, informe alguém próximo ou um segurança. Leve sempre consigo uma identificação com contato de emergência e informações sobre alergias ou condições médicas. Não dude em pedir ajuda: a rapidez no atendimento pode evitar complicações sérias.
De que forma a lembrança de Raul Seixas se mantém viva nos eventos atuais?
A obra de Raul Seixas é constantemente retomada em tributos, festivais de rock e shows de artistas que o têm como referência. Bandas covers conservam seu repertório em circulação, e eventos como o “Dia do Rock” frequentemente incluem blocos dedicados ao seu legado. Além disso, documentários, exposições e debates sobre sua vida e obra são promovidos em centros culturais, provando que sua música e suas ideias continuam influenciando novas plateias e mantendo acesa a chama do rock brasileiro.
O impacto da produção técnica no contato do público
Áudio e acústica: o que verdadeiramente importa
A qualidade do som de um evento ao vivo é o elemento que mais separa uma noite memorável de um desapontamento. Já testemunhei shows em que a banda era excelente, mas o sistema de som estava mal equalizado, resultando em graves embolados e vocais ininteligíveis. Na minha análise, uma boa produção de som começa pelo dimensionamento correto do equipamento para o espaço. Não adianta usar line arrays de última geração se o técnico de PA não conhece as características acústicas do local. Recordo de relatos sobre as apresentações de Raul Seixas em teatros antigos, onde a reverberação natural das salas exigia ajustes minuciosos — e muitas vezes era o próprio artista quem dava palpites sobre a equalização. Hoje, felizmente, a tecnologia permite simulações acústicas prévias, mas o ouvido humano treinado continua insubstituível. Aconselho que o público preste atenção na clareza das frequências médias, onde estão as vozes e as guitarras, pois é ali que a emoção da música se comunica de forma mais direta.
Sistema de monitoração e a comodidade do artista
Um aspecto frequentemente negligenciado pelo público é a monitoração de palco, que afeta diretamente a performance do artista. Sistemas in-ear modernos permitem que cada músico obtenha uma mixagem personalizada, eliminando o risco de retornos de palco mal posicionados gerarem microfonia ou atrasos rítmicos. Quando analiso um show, percebo se a banda parece confortável e segura — isso geralmente indica uma monitoração bem resolvida. Raul Seixas, em sua época, apoiava-se de monitores de chão e da comunicação visual com os músicos, o que demandava uma sintonia quase telepática. A evolução para os sistemas digitais diminuiu drasticamente os erros, mas também gerou uma dependência técnica que pode se voltar contra o artista se houver falha. Por isso, argumento que toda produção de respeito mantenha um plano B analógico, especialmente em festivais ao ar livre, onde as condições climáticas e a interferência de radiofrequência são imprevisíveis.
Iluminação e cenografia como narrativa visual
A luz de um show não é simples enfeite: ela guia a narrativa emocional da apresentação. Já vi espetáculos em que a luz tornava uma balada intimista em um clímax arrebatador, e outros em que o excesso de efeitos ofuscava a presença do artista. Na minha avaliação, o equilíbrio está em tratar a luz como um instrumento musical adicional, que reage aos andamentos e às dinâmicas das canções. Raul Seixas entendia isso intuitivamente: em seus shows, empregava figurinos e adereços que interagiam com a iluminação disponível, criando silhuetas icônicas mesmo com recursos limitados. Hoje, as mesas de luz digitais e os painéis de LED apresentam possibilidades quase infinitas, mas o excesso de estímulos visuais pode disputar com a música em vez de realçá-la. Aconselho os produtores a criarem o roteiro de luz junto com o setlist, certificando que cada canção tenha uma identidade visual coerente.
Projeção mapeada e realidade aumentada
O video mapping e as tecnologias de realidade aumentada estão transformando o que é possível em termos de cenografia ao vivo. Em festivais recentes, observei projeções que transformavam completamente a arquitetura do palco, criando a ilusão de profundidade e movimento sem a necessidade de cenários físicos pesados. Essa abordagem reduz custos de transporte e montagem, além de permitir que o mesmo palco se adapte a diferentes artistas ao longo do dia. No entanto, alerto para o risco de a tecnologia se tornar um fim em si mesma. O legado de Raul Seixas me recorda que a força de um show está na conexão humana, e nenhum holograma toma o lugar do olhar do artista para a plateia. Quando bem integrada, a projeção mapeada amplia a imersão; quando mal utilizada, desvia e artificializa a experiência. O segredo está em pôr a tecnologia a serviço da música, e não o contrário.
O preparo fundamental antes de qualquer show ou turnê
Depois de anos comparecendo a shows enquanto fã e analista, organizei um checklist de preparação que soluciona a maioria dos imprevistos. O primeiro passo é confirmar a autenticidade do ingresso: compro apenas em canais oficiais e, quando apelo ao mercado secundário, peço comprovantes e registro de transferência nominal. Em seguida, programo o deslocamento com antecedência, avaliando rotas alternativas, horários de transporte público e opções de estacionamento seguro. Muitas pessoas subestimam o impacto do trajeto na experiência geral, mas atrasar-se ou estressado compromete a recepção do show. Raul Seixas mencionava sobre a importância de estar presente, e isso inicia bem antes do primeiro acorde. Trago sempre uma cópia digital dos documentos, dinheiro em espécie para emergências e um carregador portátil — artigos simples que já me socorreram inúmeras vezes.
A preparação física e mental também demanda foco. Shows longos, especialmente em festivais, exigem hidratação constante, alimentação leve e pausas estratégicas. Aprendi da pior forma: deixei de lado esses cuidados em um evento de doze horas e terminei a noite exausto, sem curtir a atração principal. Hoje, recomendo que o fã trate o dia do show como uma maratona, não como uma corrida de cem metros. Isso envolve escolher calçados confortáveis, roupas adequadas ao clima e protetor auricular para quem se posiciona próximo às caixas de som. Raul Seixas demonstrava uma energia explosiva no palco, mas também entendia dosar os momentos de intensidade e pausa. Observar essa dinâmica me auxiliou a entender que a resistência do público é parte da performance coletiva, e cuidar de si mesmo é uma forma de respeitar o artista e os demais presentes.
Outro aspecto que trato com frequência é a estruturação para turnês inteiras, seja como fã que segue várias datas ou como profissional que registra a estrada. Acompanhar uma turnê requer planejamento financeiro detalhado, reserva de hospedagem com cancelamento flexível e um seguro viagem que contemple emergências médicas. Já vi fãs cruzarem o país seguindo seus ídolos sem a mínima estrutura, e o resultado costuma ser frustração e gastos desnecessários. Raul Seixas percorreu o Brasil de norte a sul em condições muitas vezes precárias, e conhecer essas histórias me faz valorizar ainda mais a importância de uma logística bem pensada. Se você pretende seguir uma turnê, monte uma planilha com custos de deslocamento, ingressos e alimentação, e deixe uma margem para imprevistos — a estrada sempre surpreende, e estar preparado faz toda a diferença.
Reportagem jornalística e avaliação de shows e festivais
Cobrir de um espetáculo ou festival demanda mais do que uma boa câmera e um bloco de notas. Ao longo da minha trajetória, elaborei uma metodologia que inicia na pesquisa prévia: analiso a discografia completa do artista, reviso entrevistas recentes e estudo o contexto da turnê. Isso me proporciona identificar nuances que escapam a um olhar despreparado, como mudanças de arranjo, citações musicais escondidas ou a evolução da presença de palco ao longo da carreira. Quando produzo sobre Raul Seixas, por exemplo, não posso ignorar o momento político e pessoal que ele vivia em cada fase — só assim sou capaz de interpretar corretamente a escolha do repertório e a energia da performance. Utilizo o mesmo rigor a qualquer artista que estudo, porque considero que o jornalismo musical de qualidade é uma forma de preservar a memória cultural e entregar ao leitor camadas de compreensão que vão além do “gostei” ou “não gostei”.
Durante o show, minha atenção se reparte entre a performance musical e a reação do público. Anoto detalhes técnicos, como a equalização do som, a precisão da banda e o uso do espaço cênico, mas também anoto o comportamento da plateia: em que momentos ela canta junto, quando se dispersa, quais canções provocam comoção. Essa leitura dupla é indispensável para uma crítica completa, pois um show é um organismo vivo que depende da interação entre palco e audiência. Raul Seixas era um mestre nessa troca: ele lia a energia da plateia e ajustava sua entrega em tempo real, algo que só percebi quando comecei a observar os shows com esse olhar analítico. Sugiro que aspirantes a críticos treinem essa percepção binocular — técnica e humana — para produzir textos que realmente acrescentem algo ao debate.
Depois do evento, o trabalho continua na verificação de informações e na validação de dados. Setlists publicados em redes sociais nem sempre são seguros; prefiro checar com múltiplas fontes e, quando possível, com a própria produção. Também busco compreender os bastidores: houve problemas logísticos? O horário foi cumprido? A segurança funcionou? Esses elementos constituem o contexto que explica parte da experiência do público. Ao relatar um show de Raul Seixas em um pequeno clube do interior, por exemplo, sei que as condições técnicas eram limitadas, mas isso não diminui a grandeza artística — pelo contrário, muitas vezes a ressalta. Minha função é oferecer ao leitor os elementos para que ele forme seu próprio julgamento, sem impor verdades absolutas, mas com a firmeza de quem esteve lá e analisou cada detalhe com responsabilidade.
Gestão sustentável e logística em mega eventos
A influência ecológica dos festivais de música é um assunto que ganhou relevância nos últimos anos, e com razão. Um evento de envergadura produz toneladas de desperdícios, gasta volumes gigantescos de água e energia, e transporta milhares de carros que liberam carbono. Tenho estudado as iniciativas de sustentabilidade adotadas por festivais brasileiros e internacionais, e o contexto é desigual. Alguns eventos já utilizam copos retornáveis, banem plásticos de uso único, e realizam a neutralização de carbono, enquanto outros mal oferecem destinação correta ao lixo produzido. Penso no contraste com a fase de Raul Seixas, quando a percepção ecológica era embrionária, mas a escala dos eventos era inferior e o utilização de descartáveis não atingia os níveis atuais. Hoje, a obrigação é inescapável, e o admirador consciente deve exigir práticas ambientais como critério de preferência do festival.
A gestão de transporte e acomodação é outro gargalo que afeta diretamente a experiência e o impacto ambiental. Festivais realizados em locais distantes dos centros urbanos exigem um planejamento de mobilidade que dificilmente é bem implementado. Já passei por engarrafamentos de horas para entrar e sair de eventos, com motores ativos e emissões supérfluas. As soluções incluem incentivar o transporte coletivo, disponibilizar estacionamento para bicicletas e montar caravanas oficiais que diminuam o número de veículos nas estradas. Raul Seixas viajava por o país em condições logísticas muito mais rudimentares, e saber esses relatos me faz valorizar os avanços, mas também me incomodar quando vejo produtoras ignorarem o básico. Um bom evento é aquele que cuida do público desde o momento em que ele parte de casa até o retorno seguro.
Por fim, destaco a importância da economia circular nos festivais. Além da gestão de resíduos, há um tendência crescente de reutilização de materiais cenográficos, doação de alimentos não perecíveis e parcerias com cooperativas de catadores. Essas ações, quando bem comunicadas, envolvem o público e criam uma cultura de responsabilidade coletiva que vai além do fim de semana do evento. Acredito que o legado de um artista como Raul Seixas também se manifesta na forma como seus fãs e os eventos que celebram sua memória se relacionam com o planeta. A sustentabilidade não é um modismo passageiro, mas uma condição para que as futuras gerações possam continuar vivendo a magia da música ao vivo com a mesma intensidade que nós vivemos.
A relação entre artista e plateia no show
Poucas coisas me encantam mais do que analisar a química entre um artista e sua audiência. Essa conexão não se passa em escolas de música: ela é formada na vulnerabilidade, na escuta ativa e na capacidade de converter o palco em um espaço de troca genuína. Raul Seixas personificava essa habilidade como poucos. Ele não apenas interpretava suas músicas; ele conversava com o público, provocava, ria de si mesmo e estabelecia uma intimidade que fazia cada pessoa se sentir parte de algo maior. Analisando gravações de seus shows, noto que ele usava pausas estratégicas, olhares diretos e gestos calculados para conservar a plateia em estado de atenção constante. Essa técnica, que denomino de “regência emocional”, é um dos fatores que distinguem os bons artistas dos verdadeiramente inesquecíveis.
Do ponto de vista do público, a entrega também é essencial. Um show não é um espetáculo para ser consumido passivamente; é um ritual que exige participação. Já estive em plateias apáticas que prejudicaram a energia de bandas competentes, assim como presenciei multidões que elevaram artistas medianos a patamares surpreendentes. Raul Seixas costumava declarar que o palco era um espelho: o que ele recebia, devolvia em dobro. Essa reciprocidade esclarece por que certos shows entram para a história mesmo sem grande produção técnica. Na minha análise, o fator humano é o diferencial mais subestimado do mercado de eventos ao vivo. Quando avalio um festival, por exemplo, observo se a organização cria condições para que essa conexão floresça — disposição do palco, altura das grades, qualidade do som nos primeiros metros — ou se trata o público como mero consumidor.
Há também o fenômeno dos “momentos de silêncio coletivo”, que vejo o ápice da comunicação artista-plateia. São aqueles instantes em que a banda para, o vocalista segura o microfone e a multidão canta sozinha, em uníssono. Raul Seixas gerava isso com maestria em canções como “Maluco Beleza” e “Gita”, criando uma suspensão temporal que arrepiava até os técnicos na mesa de som. Estudar esses momentos me ensinou que o silêncio é tão poderoso quanto o som em um show. Aconselho artistas iniciantes a não guardarem medo das pausas, a permitirem que a plateia respire e responda. É nesse vazio preenchido pela voz do público que a magia do ao vivo se revela em sua forma mais pura, e nenhuma produção milionária pode fabricar isso artificialmente.
A herança dos festivais históricos e a transformação do rock ao vivo no Brasil
Para assimilar o panorama atual de música ao vivo, é essencial recordar os festivais que redefiniram a conexão do público brasileiro com o rock. O Festival de Águas Claras, realizado em 1975 na cidade de Iacanga, interior de São Paulo, é um divisor de águas que dialoga diretamente com a caminhada de Raul Seixas. Naquela edição, Raul foi ao palco com sua banda e ofereceu uma apresentação que combinava rock, filosofia e deboche, diante de uma público estimada em mais de trinta mil pessoas. A estrutura era precária para os padrões atuais, mas a atmosfera de contracultura e resistência formou um formato de festival que influenciaria gerações. Avalio esse evento não apenas como um capítulo nostálgico, mas como um ambiente do que viria a seguir: a estruturação dos palcos, a negociação de cachês, a organização de transporte de equipamentos e a reportagem da imprensa alternativa. Tudo isso achava-se em estágio embrionário ali, e muitos dos avanços e falhas daquela fase ainda repercutem nas produções contemporâneas.
O Rock in Rio, que estreou em 1985, significou um avanço de proporção e aspiração. A Cidade do Rock apresentou ao Brasil headliners internacionais e fixou um modelo de megaevento que parecia afastado da conjuntura nacional. Costumo comparar o espírito de Águas Claras com o do Rock in Rio: enquanto o primeiro era guiado por utopia e improvisação, o segundo originou-se sob a lógica do amplo apoio e da produção milionária. Raul Seixas não conseguiu a se mostrar no Rock in Rio, mas seu DNA artístico — a fusão de ritmos, a rebeldia e o atração — estava visível em muitos artistas nacionais que partilharam o line-up. Examinar essa mudança me contribui a esclarecer por que hoje coabitam no Brasil festivais de especificidade, como o Psicodália, e superproduções como o Lollapalooza. Cada estrutura atende a demandas distintas do público, e conhecê-los é o inicial etapa para selecionar onde aplicar seu prazo e recursos.
Outro aspecto que chama a atenção é o papel dos festivais universitários e das cenas regionais na manutenção do rock ao vivo. Nos anos 1980 e 1990, eventos como o Festival de Inverno de Ouro Preto e as mostras de bandas independentes em Brasília e Porto Alegre mantiveram a chama acesa enquanto o mainstream variava. Raul Seixas, mesmo em fases de menor visibilidade comercial, permaneceu percorrendo essas rotas alternativas, tocando em ginásios e espaços culturais que se apoiavam mais da paixão dos organizadores do que de grandes bilheterias. Essa resiliência me ensinou que a vitalidade dos eventos ao vivo não se mede apenas pelo número de ingressos vendidos, mas pela capacidade de gerar conexão genuína. Ao analisar o cenário atual, observo que muitas bandas emergentes replicam essa estratégia de Raul, construindo suas bases de fãs em circuitos menores antes de almejar os grandes palcos.
O mercado de ingressos e a luta contra cambistas
O sistema de venda de ingressos no Brasil vivenciou alterações radicais na última década, e nem todas foram benéficas para o fã. A digitalização previa acabar com as filas e tornar mais fácil o acesso, mas acarretou consigo uma nova geração de cambistas que usam bots para esgotar lotes em segundos e revender por preços exorbitantes em plataformas paralelas. Acompanho esse mercado com atenção e já reportei práticas predatórias que lesam especialmente os fãs de artistas com grande apelo popular, como era Raul Seixas. A solução não é fácil, mas envolve por uma combinação de medidas: venda nominal com verificação de identidade na entrada, limites de compra por CPF e o uso de tecnologias de reconhecimento facial que algumas produtoras já estão experimentando. Enquanto essas barreiras não se tornam padrão, recomendo o leitor a comprar apenas nos canais oficiais e a suspeitar de ofertas muito abaixo do preço de mercado.
Outro aspecto que pede atenção é a política de meia-entrada e a chamada “meia social”, que frequentemente atrapalha mais do que auxilia. A legislação brasileira garante o benefício a estudantes, idosos e pessoas com deficiência, mas a falta de padronização na comprovação gera atritos na entrada dos eventos. Já presenciei situações constrangedoras em que fãs foram barrados por não portarem o documento exigido, mesmo tendo direito ao desconto. Raul Seixas, que sempre promoveu a democratização da cultura, com certeza se indignaria com a burocracia que afasta justamente o público de menor poder aquisitivo. Defendo que as produtoras apliquem em sistemas de validação digital que relacionem dados com bases oficiais, agilizando a entrada e diminuindo a margem para fraudes. Enquanto isso não acontece, a recomendação é revisar com atenção os termos de cada evento e apresentar todos os documentos possíveis, mesmo que seja visto como desnecessário.
A honestidade na apresentação dos valores também é uma bandeira que promovo constantemente. Muitos eventos anunciam preços a partir de um certo valor, mas escondem tarifas de serviço, despesas de conveniência e até mesmo a conhecida “taxa de impressão” para quem decide pelo ingresso físico. Esses despesas extras podem significar até trinta por cento do valor final, e o consumidor só identifica no momento do pagamento. Vejo essa atitude antiética e avessa ao ideal de transparência que cantores como Raul Seixas pregavam. Em meus guias, sempre insiro uma estimativa realista do gasto total do evento, contemplando alimentação, locomoção e surpresas, para que o visitante possa se planejar sem surpresas desagradáveis. A orientação é a melhor defesa contra os abusos do mercado.
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